quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Loucura


(Foto: André L. Soares)
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LOUCURA
(André L. Soares)
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Se o preço da sensatez
é o eterno questionamento
da dúvida que não cala
a cansativa fissura,...
quero esquecer as perguntas,
desejo ser mudo e surdo,
vou jogar fora o encéfalo
e me render à loucura.
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A Relatividade da Verve


(Foto: André L. Soares)
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A RELATIVIDADE DA VERVE
(André L. Soares)
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Choram os mares abertos
por onde lançam-se os barcos,
em portos de ‘adeus’,... abscessos,...
à espera do doce regresso,
saudade incontida em gestos,
(mosaicos que dou a você)...
por toda pureza que abraço
nos beijos de janeiro a março.
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Sofre meu pulsar disperso
nas mãos que aqueço em afago,...
são cacos de vidro e pregos
da distância que faz estragos.
No entanto, o longe está perto,
no mais eu pago pra ver,...
se há mesmo esse caminho errado
nos sonhos que seguem atalhos.
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Imensa, a dor desses versos
que o poeta risca ao acaso,
louco, a vagar entre prédios,
catando lampejos e restos
da verve entregue ao passado
(embora nem saiba o porquê)...
dos astros que queimam,... eternos
nas curvas do tempo e do espaço.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Milagre Campestre


(Foto: André L. Soares)
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MILAGRE CAMPESTRE
(André L. Soares)
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Havia pessoas numa roça,
morando em casas de taipa,
tirando sustendo da enxada,
rostos repletos de marcas,
ganhando menos que pouco.
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A lida lhes trouxe sufoco.
Privações, doenças, calos,
dor, exploração, descaso,
carência e esquecimento...
eram os prêmios do caboclo.
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No entanto, a Natureza,
dócil, sábia, generosa,...
testemunhando o tormento
dos que labutavam ao sol
– fiéis relutantes heróis –
enviou,...
aos galhos do pé-de-rosa,
na hora da Ave-Maria,
a sublime sinfonia
da orquestra de rouxinóis,...
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...e foi perfeita a paz por todo o vergel,
que logo o fruto farto floresceu;...
...e foi tão linda a festa sob o céu,
que riram e choraram:... homem e Deus.
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terça-feira, 14 de julho de 2009

Livre


(Foto: André L. Soares)
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LIVRE
(André L. Soares)
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Como o líder,... que comanda sem ser amo.
Como o perfume,... que invade sem ser bárbaro.
Como o pássaro,... que vai embora no outono.
Como o posseiro,... que faz bom uso sem ser dono.
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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Blues 'Delirium'


(Depressão - TamiCherry)
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BLUES 'DELIRIUM'
(André L. Soares)
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São tempos
de nenhum lirismo,
falsos amigos,...
palavras de aço.
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Nas noites
em que a colcha
é o frio,
seu amante
é o delírio,...
filho do ácido.
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O corpo
reclama outra dose
[sobejo da morte
no copo de whisky].
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Só e sem forças,...
doente e triste,
ela cede a razão
ao pó
e aos frascos.
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terça-feira, 26 de maio de 2009

Em Mim


(Si Habian Rosas - ZapaLina317)
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EM MIM
(André L. Soares)
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Tens o encanto
da melhor hora do dia,
quando tudo é só poesia
na forma de bem-viver.
Daí,... portanto,
sigo como eu queria
respirando tua beleza
enquanto te espero chegar.
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Vou superando
os revezes do caminho
e se antes ia sozinho
sei que agora não vou mais.
Teu coração,
onde for levo comigo
pra fazer o impossível
sem querer olhar pra trás.
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segunda-feira, 27 de abril de 2009

O Amor


(The Lovers - Zephiriss)
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O AMOR
(André L. Soares &
Rita Costa)
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O amor é um sacrifício,...
o mais doce suplício,
meu sonho de martírio,
melhor sempre no início.
O amor é mesmo isso...
às vezes, um negócio,
íntimo equinócio,
do clitóris ao prepúcio.
O amor é imenso vício...
sem hora ou compromisso,
desânimos no ócio,
nem fácil, nem difícil.
O amor é esquisito,...
um gostoso castigo,
demônio que é bendito,
inflamando o Vesúvio.
O amor é tão bonito,...
silêncio e também grito,
delícias em dilúvios,
calor, dor e abrigo.
O amor é esse bicho...
surgido do impossível,
voando em precipício
do inferno ao paraíso.
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O amor não dá em rios,...
nem nasce no Estácio
não se prende a espaços,
vai esguio em meio-fio.
O amor não é infinito,...
requer tantos cuidados,
senão, faz mil estragos
aos mais desprevenidos.
O amor dá veredictos,...
condena os omissos,
convoca os esquecidos,
liberta os infelizes.
O amor vive conflitos...
em flagrante delito:
de um lado, puro espírito;
de outro, sexo explícito.
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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Canção do Outono Sombrio


(Autumn Canal - Leonid Afremov)
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CANÇÃO DO OUTONO SOMBRIO
(André L. Soares)
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Tenho pisado em folhas secas
que se amontoam aos pés das cercas,
depois esvoaçam pelo chão.
Acima, quase brilha um sol cinzento
simultaneamente ao vento,
que uiva a mais sombria das canções.
Vivo uma tristeza há mais de trezentos dias
sem ver flor ou ler poesia,
numa busca que parece ser em vão.
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Nos meus olhos respinga a garoa fina
que se funde às minhas lágrimas...
(nem sei se sou eu quem chora ou se é o céu).
Escondido sob o espesso sobretudo
carrego o peso do mundo em minhas costas,
seguindo só com minhas botas e o destino infiel.
No meu caminho, a primavera não é óbvia,
sinto mais frio que num inverno em Varsóvia
(sonhos congelados na nevasca da ilusão).
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Aspiro o pó branco que sobe pelas narinas
ou mergulho na bebida ofertada nos bares...
(falsas amigas que me empurram para a cova).
Não mais havendo lua-nova em minhas noites
semicerro as pálpebras e me acostumo ao breu;
afinal, o pior inimigo a enfrentar ainda sou eu.
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Feito um corsário sem rumo,
minha alma de pássaro ganhou o azul,
migrou pro Sul,... foi embora no outono.
E se me mantenho em pé é por paixão:
tenho fé, que apesar de tanta derrota,
ao abrir alguma porta, ainda haverá verão.
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