Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Blues 'Delirium'


(Depressão - TamiCherry)
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BLUES 'DELIRIUM'
(André L. Soares)
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São tempos
de nenhum lirismo,
falsos amigos,...
palavras de aço.
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Nas noites
em que a colcha
é o frio,
seu amante
é o delírio,...
filho do ácido.
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O corpo
reclama outra dose
[sobejo da morte
no copo de whisky].
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Só e sem forças,...
doente e triste,
ela cede a razão
ao pó
e aos frascos.
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Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Em Mim


(Si Habian Rosas - ZapaLina317)
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EM MIM
(André L. Soares)
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Tens o encanto
da melhor hora do dia,
quando tudo é só poesia
na forma de bem-viver.
Daí,... portanto,
sigo como eu queria
respirando tua beleza
enquanto te espero chegar.
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Vou superando
os revezes do caminho
e se antes ia sozinho
sei que agora não vou mais.
Teu coração,
onde for levo comigo
pra fazer o impossível
sem querer olhar pra trás.
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Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

O Amor


(The Lovers - Zephiriss)
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O AMOR
(André L. Soares &
Rita Costa)
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O amor é um sacrifício,...
o mais doce suplício,
meu sonho de martírio,
melhor sempre no início.
O amor é mesmo isso...
às vezes, um negócio,
íntimo equinócio,
do clitóris ao prepúcio.
O amor é imenso vício...
sem hora ou compromisso,
desânimos no ócio,
nem fácil, nem difícil.
O amor é esquisito,...
um gostoso castigo,
demônio que é bendito,
inflamando o Vesúvio.
O amor é tão bonito,...
silêncio e também grito,
delícias em dilúvios,
calor, dor e abrigo.
O amor é esse bicho...
surgido do impossível,
voando em precipício
do inferno ao paraíso.
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O amor não dá em rios,...
nem nasce no Estácio
não se prende a espaços,
vai esguio em meio-fio.
O amor não é infinito,...
requer tantos cuidados,
senão, faz mil estragos
aos mais desprevenidos.
O amor dá veredictos,...
condena os omissos,
convoca os esquecidos,
liberta os infelizes.
O amor vive conflitos...
em flagrante delito:
de um lado, puro espírito;
de outro, sexo explícito.
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Canção do Outono Sombrio


(Autumn Canal - Leonid Afremov)
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CANÇÃO DO OUTONO SOMBRIO
(André L. Soares)
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Tenho pisado em folhas secas
que se amontoam aos pés das cercas,
depois esvoaçam pelo chão.
Acima, quase brilha um sol cinzento
simultaneamente ao vento,
que uiva a mais sombria das canções.
Vivo uma tristeza há mais de trezentos dias
sem ver flor ou ler poesia,
numa busca que parece ser em vão.
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Nos meus olhos respinga a garoa fina
que se funde às minhas lágrimas...
(nem sei se sou eu quem chora ou se é o céu).
Escondido sob o espesso sobretudo
carrego o peso do mundo em minhas costas,
seguindo só com minhas botas e o destino infiel.
No meu caminho, a primavera não é óbvia,
sinto mais frio que num inverno em Varsóvia
(sonhos congelados na nevasca da ilusão).
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Aspiro o pó branco que sobe pelas narinas
ou mergulho na bebida ofertada nos bares...
(falsas amigas que me empurram para a cova).
Não mais havendo lua-nova em minhas noites
semi-serro as pálpebras e me acostumo ao breu;
afinal, o pior inimigo a enfrentar ainda sou eu.
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Feito um corsário sem rumo,
minha alma de pássaro ganhou o azul,
migrou pro Sul,... foi embora no outono.
E se me mantenho em pé é por paixão:
tenho fé, que apesar de tanta derrota,
ao abrir alguma porta, ainda haverá verão.
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Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Concerto


(Il Maestro di Musica - Valerio Mazzoli)
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CONCERTO
(André L. Soares)
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O ontem é um deserto,
sem conserto;...
o amanhã incerto,
espaço aberto;...
mesmo quando perto,
o futuro é só projeto
– incompleto –
ao qual o destino impõe vetos,
cortes e enxertos.
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No tempo que vai direto
e reto...
– ambidestro –
somente o hoje
é concreto concerto,...
tendo o homem por maestro.
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Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Heroína


(Tricky - Sas Christian)
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HEROÍNA
(André L. Soares)
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Ela vive superando
– em cada dia –
um trabalho, uma batalha, um suplício.
Sacrifício nem sempre reconhecido,
mas a vida continua
e – apesar de tudo – ainda é boa...
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Em meio a lágrimas e risos,
prioriza o necessário e o possível.
Entre os objetivos de mulher:
fracassar, parar, fugir,
simplesmente não lhe é algo permitido;
restando-lhe apenas...
– por destino inevitável –
prosseguir.
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Mas isso ela faz bem,...
já até se decidira:
– não viverá à mercê
das ventanias e das vontades alheias
– e pouco importando o tamanho
ou a densidade das barreiras –,
ao final...
– radiante e linda –
haverá sempre de vencer.
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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Dinheiro


(Foto: André L. Soares)
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DINHEIRO
(André L. Soares & Daisy Serena)
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Dinheiro! O vil metal do mundo inteiro.
Comprando gente a preço de banana,
como se fosse domingo, em fim de feira;
como se alguém que tem dinheiro fosse a fera
e quem não tem fosse somente mera presa;
como se o homem fosse carne sobre a mesa;
como se a vida se resumisse em comércio;
como se a vida fosse um item de negócio:
todo mundo fatalmente tendo um preço!
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Qual o teu preço? Quanto crês que vales?
Pessoas cobram aluguel para morar dentro do peito.
Infinitos centímetros de amor nada valem
se não tens carro e dinheiro
para bancar os sonhos das meninas,...
essas faces hipócritas se unhando umas às outras,
enlouquecidas por um fútil pedaço de papel imundo.
Onde te encontras em meio a tantos animais perdidos?
Onde encontras o preço da tua felicidade?
Cuidado na esquina! Pois se não tens dinheiro és vagabundo;
mas se tens, arrancam à força tua face!
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Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Alice


(Kousai - Ephemeralciel)
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ALICE
(André L. Soares)
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Alice, embebida de pureza,
há poucas horas chegara ao planeta,
ainda estava imune à maldade,
quando as notícias velozes
rasgaram-lhe as têmporas.
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Lágrimas verdes vertendo das retinas,
pontas de dor aguda a lhe fisgar o peito,
grito de clave de sol, preso à garganta,
ela então, vê a santa desnuda
sob a luz fria do cotidiano,...
momento em que o belo pintou-se de breu
(sabor amargo de inocência trincada).
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Cansada, recolhe-se ao quarto,
a proteger-se dos cristais e plasmas.
Após sangrar lembranças, cerra as pálpebras,
chora e soluça outra vez, sozinha.
Por fim, Alice adormeceu!
Em seus sonhos ainda existem flores,
a água e a verdade parecem cristalinas
e até o coração do homem é bom.
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Acanhado, procurei algo
que a fizesse sentir-se melhor
quando acordasse;
tentei criar um ‘origami’, mas já era tarde,...
eu só tinha em mãos, a realidade.
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