segunda-feira, 14 de julho de 2008

Sem Metáforas


(Battle at Balaclava - Eliot Elisofon)
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SEM METÁFORAS
(André L. Soares)
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A gente pode prosseguir blefando
– ou não –
que o mal será curado com falsa democracia;
que eleição e referendo são remédios eficazes;
que Deus é brasileiro e essa nação tem bom futuro
e que a moral religiosa aponta mesmo uma saída.
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A gente pode continuar mentindo
– ou não –
que a corrupção se estancará pela via do Direito;
que bem distribuir renda se faz com negociação;
que não derramar sangue torna todos mais felizes
e que se faz revolução sem que haja algumas perdas.
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A gente pode dizer, se equivocando
– ou não –
que o narcotráfico está sendo mesmo derrotado;
que as garras das máfias não se apossaram do Estado;
que somente a educação vence a injustiça social
e que é algo construtivo o que chamamos de mídia.
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A gente pode persistir se iludindo
– ou não –
que se deve acatar a ‘banda podre’ da polícia;
que a morte não é cura exata para os crimes políticos;
que humanismo recupera estuprador e assassino
e que nossa covardia nos faz um povo especial.
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A gente pode ir avante se enganando
– ou não –
que basta fechar os olhos ao que sofre o vizinho;
que o povo não pode assumir o controle de um país;
que se pode viver bem negando a guerra civil
e que ninguém quer ver cortado esse mal pela raiz.
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A gente pode até deixar que as elites roubem tudo.
A gente pode ser passivo e até mentir que é cristão.
A gente pode até viver em um nível subumano.
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Mas até quando?
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8 comentários:

  1. Parabéns por teus escritos, André. É muito difícil encontrar, hoje, escritores que fazem com que nos identifiquemos com sua obra, mas aí está você!
    Obrigada.

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  2. Amigo André,
    Deixei um lindo selinho para vc lá no meu Blog.Parabéns!!!

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  3. Parabéns pelo blog e de altíssimo nível. Abraços !

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  4. André,
    Deixei um mimo prá você no Alpendre.
    abraços poéticos.
    Selma

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  5. dando meu passeio de sempre aqui. Inteligente e direto teu modo de escrever. Gosto daqui, é bom até para aprender.
    Um abraço
    Maurizio

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  6. Velho dilema, grande pergunta: até quando?

    Parabéns pelo Blog!

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  7. André:

    A gente pode seguir, indefinidamente, presos por grilhões muito mais potentes do que os abertos em 1888, pois os que hoje nos prendem encontram-se camuflados pela demagógica idéia de que as oportunidades são iguais para todos, que quando "Deus quiser" as coisas vão melhorar.
    Portanto, se não estão como deveriam, ou é porque incompetentemente não aproveitamos as oportunidades que nos são dadas ou porque Deus acha que ainda não chegou nossa hora.
    Maravilhoso, não?
    Abraços
    Lucia

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  8. André, acho que visitei todos os seus blogs. E quero deixar aqui, nesse forte poema social, meu registro de plena admiração pela sua poesia. Visite meu humilde blog sempre que quiser. Deixe lá suas palavras de incentivo e crítica, pois são de muita valia pra mim, que inicio agora. Um beijo, poeta.

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